Astrologia, homeopatia e outras engabelações
O que a astrologia, a homeopatia, os chacras, as terapias alternativas, a cartomancia, os mantras, o tarô cigano e os florais de bach têm em comum?
Todos são pseudociências, superstições sem sentido. Iludem, enganam e exploram a boa-fé de milhões de pessoas no mundo. Assim como as religiões, cada uma dessas pseudociências possui seu próprio sistema de crenças irracionais, que prospera e conquista ‘devotos’ graças, principalmente, a três fatores. A saber:
1) Inapetência Intelectual – Muitas pessoas não raciocinam com clareza e acurácia. Tem dificuldade ou preguiça de pensar e de perceber os saltos lógicos e a fragilidade argumentativa dessas crenças. Por comodismo ou debilidade se sentem satisfeitas com explicações rasas e incoerentes. Acreditam em qualquer bobagem que superficialmente faça sentido.
2) Medo do desconhecido – No universo, há várias questões inquietantes que a ciência ainda não conseguiu explicar – por exemplo, ‘o que acontece, se é que algo acontece, depois que morremos?’. A falta de explicação causa angústia e desconforto. Para se livrar dessa angústia, muitos se apegam às explicações confortantes, porém irracionais, das pseudociências. Nós, seres humanos, ignoramos um bom bocado de respostas a respeito de nós mesmos e dos fenômenos que nos cercam. Mas “a ignorância é apenas ignorância; dela não se deduz nenhum direito a crer em nada*”. Usá-la como desculpa para aceitar as fantasias e explicações estapafúrdias das pseudociências é uma perigosa fuga da realidade. Se não sabemos, não sabemos. Ponto. Resta-nos apenas aceitar este fato. Afinal, a ciência não explica tudo, mas as pseudociências não explicam nada.
3) Necessidade/vontade de acreditar – “As pessoas tendem a aceitar afirmações sobre elas proporcionalmente a seu desejo de que sejam verdadeiras**”. Em outras palavras, as pessoas são facilmente sugestionáveis. Elas querem acreditar e deixam que seus desejos interfiram em sua apreensão da realidade. Por isso, sucumbem a crenças que lhes dizem o que elas querem ouvir. Autoenganam-se.
Sou uma pessoa bastante cética. Não acredito em nada que não tenha comprovação. E nenhuma dessas pseudociências é capaz de sobreviver a estudos comprobatórios claramente definidos, controlados, duplamente cegos, aleatórios e repetíveis. A maioria das explicações das pseudociências são frágeis e facilmente derrubáveis quando pesquisamos, nos informamos e analisamos as premissas e argumentos. Entretanto, alguns fenômenos ou crenças são mais difíceis de serem explicados. O que nem de longe é motivo para eu acreditar no que quer que seja. Como já disse, a ignorância é apenas ignorância.
Certa vez, presenciei em um terreiro de umbanda um sujeito supostamente incorporar o preto velho. Lá pelas tantas, depois de dançar desengonçado pra lá e pra cá, o cara começou a beber uma garrafa de cachaça. Em poucos minutos esvaziou a pinga inteira. O ritual dançante continuou e no final, diz a lenda, o preto velho se foi. Na mesma hora o sujeito caiu no chão, se levantando alguns segundos depois. Para minha incredulidade, o rapaz parecia completamente sóbrio. Conversei com ele e nem sinal do litro de pinga que ele entornou. Inconformado, fui até a garrafa e cheirei para ver se de fato era cachaça que tinha dentro. Era. O que raios, então, aconteceu com o sujeito? Não faço a menor ideia. Mas daí a inferir, por falta de explicação melhor, que um preto velho baixou mesmo no rapaz é uma tremenda leviandade. Quando muito dá para assumir que esta é uma remotíssima hipótese – um tanto fantasiosa, a meu ver – para o que aconteceu com o sujeito. Há centenas de outras. Há, por exemplo, a possibilidade de que, auto-sugestionado, o rapaz tenha entrado num estado hipnótico e, assim como alguns hipnotizados conseguem comer cebola como se fosse maçã, tenha bebido cachaça como se fosse água. Também pode, de fato, ter ocorrido um fenômeno metafísico qualquer. Mas tudo não passa de especulação.
A verdade é que eu não tenho explicação para o que presenciei no terreiro. Assim como também não sei explicar como o mágico do circo cerrou o caixote em 5 partes com uma linda moça dentro e no fim da apresentação ela apareceu inteira e sorridente. Nem por isso eu acredito que o mágico tenha de fato cerrado o corpo da mulher e depois juntado novamente os membros quando, num estalar de dedos, berrou: ‘Shazam!’.
Na maioria dos casos, entretanto, com um pouco de informação é fácil perceber os erros e as falácias das pseudociências. Seus gurus e defensores distorcem conceitos científicos e usam a torto e a direito termos que, fora de contexto, não têm qualquer significado, como energia e vibração. Além disso, utilizam-se de técnicas como ‘leitura fria’ e valem-se do chamado efeito forer para supostamente validar sua eficácia. Vejamos como esses mecanismos funcionam:
Leitura Fria – É uma técnica desenvolvida por mágicos, baseada em conhecidos princípios de manipulação, como ’sugestão’, ‘espelhamento’ e ‘adulação’. Por exemplo, “o médium faz uma afirmação vaga porém sugestiva do tipo: “Eu sinto uma energia relacionada ao mês janeiro…” Se a pessoa confirmar, ele segue por esta linha, se a pessoa refutar ele vai lentamente mudando a direção da conversa e pescando outros detalhes. [...] Nem todos que utilizam a leitura fria a fazem de maneira maliciosa. Muitos médiuns, astrólogos, tarólogos e outros oráculos realmente acreditam que possuem poderes extra-sensoriais e ficam maravilhados com as informações que simplesmente parecem surgir nas suas mentes***”. Abaixo três matérias exibidas pelo Fantástico mostram como a leitura fria é utilizada por supostos médiuns e videntes para enganar os clientes.
Efeito Forer – O psicólogo B. R. Forer “descobriu que as pessoas tendem a aceitar descrições de personalidade vagas e gerais como se fossem única e exclusivamente suas, sem perceber que as descrições se aplicam a quase qualquer pessoa.***”. “Uma vez que seja encontrada uma crença ou expectativa, especialmente alguma que resolva incertezas desconfortáveis, isso predispõe o observador a notar novas informações que confirmem a crença, e a ignorar evidências em contrário. Esse mecanismo auto-perpetuante consolida o erro original e cria uma confiança exagerada, na qual os argumentos dos opositores são vistos como fragmentados demais para desfazer a crença adotada.****”
Nos vídeos abaixo o biólogo Richard Dawkins demonstra a inconsistência e a estupidez de cada uma dessas crenças irracionais. São dois documentários de uma hora cada. No primeiro, “Inimigos da Razão – Os Escravos da Superstição”, Dawkins demonstra a fragilidade da astrologia, dos cristais e do discurso dos gurus da Nova Era. No Segundo, “Inimigos da Razão – O Sistema Irracional de Saúde”, o biólogo aponta suas flechas para a homeopatia e as demais práticas da chamada ‘medicina alternativa’.
Se você ainda acredita em alguma dessas pseudociencias, recomendo que assista com atenção os dois documentários e pense a respeito. Se for honesto e integro consigo mesmo, verá que não há razão para continuar crendo em tolices do gênero. Afinal, “Corno, todo mundo que tem namorado ou namorada está sujeito a ser. Corno manso só quem quer”.
Inimigos da Razão – Os Escravos da Superstição
Inimigos da Razão – O Sistema Irracional de Saúde
* Confissões de um Filósofo, Bryan Magee, Martins Fontes ** Dicionário Cético – http://www.skepdic.com/brazil/forer.html *** Projeto Ockham – http://www.projetoockham.org/pseudo_astrologia_7.html **** David Marks e Richard Kamman
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De Albert Einstein
Pode ser que um dia deixemos de nos falar…
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe…
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos…
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos…
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe…
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Kadu
Admiro o teu amor pela liberdade… a sua e a do próximo,
e mais ainda o teu respeito pela diversidade…
Adorei o seu blog.
bjus
Patricia
Kaduzito, ausência de evidência não significa evidência de ausência. Não é porque a gente não consegue explicar alguma coisa, que ela necessariamente não existe. Quando, há tempos, poderíamos imaginar coisas que são possíveis hoje? Pode ser apenas que ainda não tenhamos conseguido entender os fios invisíveis que regem a vida. Na dúvida, eu bebo em todas as fontes. De fitinhas do Senhor do Bonfim à fitinhas do São Google. Mal não faz rs
ps: Eu sinto uma energia relacionada ao mês de janeiro…
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Não confunda desejo com realidade.
A Verdade independe da nossa vontade e do que gostaríamos
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