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A grande questão

Postado por , domingo, 7 de dezembro de 2008Um Comentário

Não sei quanto a você, mas a perspectiva de morrer sem conseguir responder a pergunta mais elementar sobre mim mesmo me incomoda tremendamente. A saber, qual o sentido da minha existência?

Praticamente não fico um dia sem pensar nesta questão. Ela me persegue desde a infância. Ela e outras tantas questões correlatas. Afinal, como eu posso viver, agir e me planejar sem saber a razão pela qual eu estou vivo? Pior, será que há uma razão?

Por mais que a perspectiva do nada me apavore, não dá para ignorá-la. Trata-se de uma hipótese bastante plausível. A vida humana pode mesmo não ter sentido algum e tudo o que fazemos ser em vão e sem valor. Neste caso, o fato de existirmos é algo contingente, meramente acidental e, portanto, sem importância. Andamos, comemos, dormimos, trabalhamos, sobrevivemos a esmo, sem razão de ser. Ante a perspectiva do nada, minhas escolhas e atitudes cotidianas são irrelevantes. Que diferença faz eu ser jornalista e não engenheiro, eu ter me casado com a minha mulher e não com a sobrinha dela, eu ter nascido no Brasil e não no Japão se o vazio é o meu destino? Por que devemos continuar vivos se a vida não faz sentido, se em breve tudo será nada e eu não serei ninguém? E quando todos aqueles que me estimam também morrerem não restará de mim nem as lembranças. Todos os resquícios da minha existência serão apagados. Voltarei a ser exatamente o que eu era antes de ter nascido. Nada. A despeito da minha vontade, este pode ser o fado de toda a humanidade.

Por outro lado, se houver um sentido, por que nós seres humanos, principais interessados, o ignoramos completamente? De que adianta a vida ter um sentido, se o desconhecemos, se não podemos tê-lo como norte?


“A realidade é cruel para o ser humano, lançado sobre a Terra, ignorando o seu destino, submetido à morte, não podendo escapar aos lutos fatais, às vicissitudes da sorte, ao sofrimento, servidões e maldades”, escreveu o  filósofo francês Edgar Morin. Viver é duro. Viver sem saber por quê, sem saber se a vida humana tem algum sentido, sem saber se a nossa vida tem algum valor é dilacerante.

Há alguns anos um amigo que se matou me disse que toda vez que se propunha a pensar seriamente sobre a nossa existência sentia uma sensação estranha, uma mistura de angústia com impotência. Não é para menos. Não é fácil conviver com a perspectiva de que morreremos na escuridão da ignorância.

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Um Comentário »

  • Hellen disse:

    Oi?!? Confesso que estou totalmente abismada(se é essa for a palavra), com tudo que li nesse texto, é tudo que sempre pensei em relação a vida, ou ao fim dela, só que nunca escrevi ou relatei isso pra ninguém. As diferenças que vc cita em ter nascido aqui ou lá e outras citadas, me atormetam constantemente. Realmente muito bom. Adorei!!!

    Uma resposta:
    Hellen, me atormentam também. E não tem outro jeito. São questões indigestas e aporéticas. Temos que aprender a conviver com elas mas sem ignorá-las, como muitos hipocritamente fazem. Fingir que essas questões não existem é autoenganar-se. E, nesse ponto, eu tô com Renato Russo: “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.

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