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Tropa de Elite e o sentido da vida

Postado por , sexta-feira, 28 de novembro de 20083 Comentários

Parafraseando as primeiras palavras do Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite, eu diria o seguinte a respeito da vida: “Na Terra há 6 bilhões de seres humanos. Todos desconhecem a razão pela qual foram jogados no mundo. Pode não haver razão. A vida de cada um de nós pode não ter significado algum. E se tiver, é quase certo que morreremos sem saber. Todo esforço para superar a dor do um luto, por exemplo, pode ser em vão. Isso é desesperador. É osso duro de roer. À beira deste abismo de incertezas, todo ser humano tem que escolher: ou se omite, ou se corrompe, ou encara a verdade. A maioria das pessoas tem medo da verdade – porque a verdade é indigesta, amigo.”

Em outras palavras. Os seres humanos podem ser divididos em três grupos em relação a questão do sentido da vida. Há o grupo das pessoas que se omitem e vivem como se o problema não existisse. Recusam-se a refletir com profundidade sobre o tema. Para elas a vida é assim porque é assim. Ponto. Melhor seguir com a atividade prática de viver do que refletir sobre questões que as tirarão da zona de conforto. No fundo sabem que se mexer, fede. Mas preferem evitar pensar no assunto. Lidam com o problema, ignorando as perguntas.

O segundo grupo é composto por aqueles que se corromperam ante a resposta fácil e acolhedora que as religiões oferecem. Optaram pelo conforto emocional em detrimento da razão e da integridade intelectual. Acham que já encontraram a resposta para o sentido da vida. Em geral, são pessoas que têm dificuldade em distinguir entre a verdade e o que elas gostariam que fosse verdade. Os trechos abaixo do livro Confissões de um Filósofo, de Bryan Magee, iluminam as incongruências desta escolha.

“A postulação de um Deus é uma recusa em levar a serio problemas sérios; uma reação fácil, infundada e acima de tudo evasiva a dificuldades profundamente perturbadoras. Ela acolhe a ilusão autocomplacente de que sabemos aquilo que não sabemos e de que dispomos de respostas que não temos.
No fundo, as pessoas querem acreditar. Isso, porém, não tem nada a ver com a verdade. [...] A ignorância não é permissão para acreditar naquilo que nos agrada [...] Se não sabemos, não sabemos. Qualquer conversa sobre isso ser uma abertura para a fé é uma perigosa brincadeira com palavras. A ignorância não é justificativa para se acreditar em nada. Encarar este fato, conviver com ele e encarar a morte com ele é o mais assustador de todos os desafios existenciais. Nas garras desse medo a mais tentadora das tentações é correr na direção de alguma crença religiosa.”

O terceiro e último grupo é composto pelas pessoas que encaram a verdade sobre a nossa existência. E a verdade é uma só. Ninguém sabe qual o sentido da vida. Vivemos na ignorância. Eu, você e toda a humanidade. Até hoje nenhum ser humano conseguiu elaborar uma explicação convincente, seriamente embasada sobre o significado da vida. Não há nem mesmo provas de que a vida tem sentido, de que há uma razão para estarmos aqui neste mundo. Pode não haver.

Tudo o que há são suposições. Centenas de suposições. Todas inconclusivas. A maioria infundada, construída com argumentos falaciosos, premissas inconsistentes ou dados não confiáveis.

Uma busca intelectualmente honesta não pode aceitar como verdadeiras hipóteses que caem ao escrutínio da razão, que aviltam nossa inteligência, sobrepujam o raciocínio lógico e permitem que nossos desejos preencham as lacunas deixadas pela ignorância. Por isso, faço parte deste terceiro grupo. Prefiro uma verdade amarga a uma doce ilusão.

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3 Comentários »

  • Ana Rita Martins disse:

    Se ninguém sabe qual a verdade, porque então o terceiro grupo seria o dono dela? Os argumentos são mais embasados que o dos outros dois grupos, concordo, mas tb não são provas irrefutáveis de que Deus não existe. Eu não acredito em Deus. Pra mim, viraremos pozinho no final das contas. Mas tb não sou contra as pessoas que criam teorias religiosas ou que acreditam em teorias já dadas. O importante nessa vida é ser feliz. E se algumas pessoas o são acreditando em A ou B, bom pra elas. :) ) Beijos

    Uma resposta:
    Vamos por partes, picotando o seu comentário para melhor respondê-lo.

    1) Se ninguém sabe qual a verdade, porque então o terceiro grupo seria o dono dela?
    Com o devido respeito, a frase acima é um mero jogo de palavras. Ninguém sabe a verdade sobre o sentido da vida. Nos é incognoscível, por mais perturbador que isto seja. O que faz as pessoas deste terceiro grupo é justamente isso, reconhecer que não conhecemos a verdade.
    2) Mas tb não são provas irrefutáveis de que Deus não existe. Pra mim, viraremos pozinho no final das contas.
    Para uma resposta mais específica precisaria saber o que exatamente você entende por Deus. Há várias definições. Muitas contraditórias. A maioria infantil e inconsistente.
    De qualquer forma, num caso como este o ônus da prova cabe aos crentes, não aos incrédulos. Não se pode provar a inexistência de nada, como demonstrou Bertrand Russel com a parábola do bule. Um trecho dela: “Se eu sugerisse que entre a Terra e Marte há um bule de chá chinês rodando em torno do sol, ninguém seria capaz de contraprovar a minha afirmação, desde que eu tenha tido o cuidado de dizer que o bule é pequeno de mais para ser vistos até mesmo pelos mais potentes telescópios.”
    Por fim, vale esclarecer, que eu não sou desses ateus que afirmam categoricamente que Deus não existe. Eu apenas não acredito nele por falta de evidências lógicas. Quando muito, dependendo da definição que você me der deste Deus, posso admitir que ele é uma das milhões de possibilidades existentes para explicar aquilo que ignoramos. Só.

    3) Mas tb não sou contra as pessoas que criam teorias religiosas ou que acreditam em teorias já dadas.
    Também não sou contra ninguém, mas tenho dificuldade de entender os meandros da natureza humana que levam uma pessoa a fugir da verdade e preferir uma óbvia ilusão a realidade.
    4) O importante nessa vida é ser feliz.
    Discordo. Mas isso é assunto para um outro post.

  • Gabriel Navarro disse:

    Sem dúvida, esse triste vício de buscar ansiosamente um sentido para a vida – e, pior, convencer-se de que o encontrou – gera perigosos entorpecentes morais – religião, fundamentalismo, estreitamento cerebral. Como as pessoas dividem-se basicamente em ordinárias e extraordinárias, é até necessário que existam ordinários, aqueles que enxergam sentido no sistema que lhes foi imposto. São o suficiente para as demandas mecânicas da humanidade. Mas é sabido que só quem descontruiu os paradigmas no momento certo nos fez dar um minúsculo passo adiante. E, diante da completa ausência de um significado para a existência, o que resta é descobrir o melhor para si mesmo.

    Uma resposta:
    Belas palavras, meu velho. Só não tenho certeza quanto à “ausência de significado”, que você mencionou no fim do comentário. Para mim ela é uma possibilidade bem plausível, mas não uma certeza. Pode ser que haja um significado, ainda que desconhecido. Neste caso, o que me resta é insistir na busca, por mais que sejam ínfimas as possibilidades de qualquer avanço significativo.

  • Nanda disse:

    “…4) O importante nessa vida é ser feliz.
    Discordo. Mas isso é assunto para um outro post…”

    E ai quando vai fazer um post a respeito disso???

    Beijinhos,
    FICA COM DEUS, ah ah ah…
    Nanda

    Uma resposta:
    Nanda, querida, em breve, espero. É que esse é um assunto tão espinhoso e complexo que preciso refletir bastante antes de escrever o post. Para quem se interessa pelo tema recomendo a leitura do livro “A Felicidade Desesperadamente”, de André Comte-Sponville. Foi a partir das reflexões de Sponville – algumas das quais ouso discordar – que comecei a formar minha opinião de que a máxima “o importante é ser feliz” é vazia e sem significado. Se todos os meus parcos leitores já tivessem lido o livro, ficaria mais fácil escrever o post. Como não posso partir deste pressuposto preciso de tempo para escrever de forma coesa e coerente toda a linha de raciocínio que me levou a esta conclusão. Chego lá. Talvez em 2009. Beijos, Kadu

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