Você vai morrer
Você vai morrer. Sim, você mesmo, caro leitor. Você e toda a sua família. Seus pais, seus filhos, seus irmãos e todas as pessoas que você ama vão morrer em breve. Gostaria que não fosse assim, mas dentro de pouco tempo todos os familiares daqueles que, como você, tiveram contato com estas linhas estarão mortos. É verdade. Infelizmente eu não estou brincando. Todos os seus entes queridos vão morrer e não há nada que eu possa fazer para impedir isso.
Não, eu não sou um bruxo, tampouco este texto é endemoniado. Aliás, se isso lhe serve de consolo, até mesmo quem jamais leu uma linha do que eu escrevi irá morrer. Todas as pessoas que estão vivas hoje irão morrer em pouco tempo. Eu, inclusive. Você também. Nossos pais, filhos, parentes e amigos, idem. Daqui a apenas cem anos provavelmente ninguém que conhecemos estará vivo – salvo, talvez, uma criança ou outra mais longeva, que em um século já estará contando os dias para também morrer.
Somos mortais. Por mais que às vezes finjamos ignorar este fato, a verdade é que nossa vida é finita. Finita e insignificante. Tão insignificante quanto a vida do seu bisavô, um sujeito que deve ter morrido há no máximo 70 anos, mas que muito provavelmente você não sabe nem o nome. Ele é um dos responsáveis diretos por você estar vivo, mas tudo o que ele viveu, sejamos francos, não significa nada para você.
Não se culpe. O tempo é implacável. Implacável e democrático. Age sobre todos, apagando os resquícios de qualquer existência. Daqui a alguns anos será você quem não significará nada para os seus bisnetos. Nada do que viveu terá importância. Todos os momentos marcantes da sua vida, todas as intensas relações de amor que você manteve com seus pais, filhos e amantes não significarão nada para ninguém. Você será um antepassado sem nome, uma vida sem valor. Será como se você nunca tivesse existido. É duro, mas é o que acontece com a vida de todos os seres humanos. Quando morremos voltamos a ser o que éramos antes de nascer. Nada. A morte e o tempo nos transformam em eternos nadas.
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Belo texto!!!! E ainda tem gente que consegue ser mega egocêntrica mesmo sabendo disso tudo…
Belo texto!!!! E ainda tem gente que consegue ser mega egocêntrica mesmo sabendo disso tudo… Conheço algumas assim… Sempre falo: “desfoca o pensamento, pq o q a gente pensa, sente ou vive pouco acaba importante no final das contas”.
É pensando na morte e sentindo a sua aproximação inerente, que começam as reflexões mais profundas sobre o sentido da vida.
Existem pelo menos dois caminhos ou apostas a fazer. A primeira considerando o nada existencial, pode nos estimular a buscar desesperadamente o desfrute do pouco tempo naquilo que se acredita ser o único tudo. Talvez esse caminho seja o mais propício a arrastar os serem humanos aos excessos e perigos, quando não às maldades de todas as sortes. Admiráveis são aqueles que mesmo em face do nada conseguem perceber que o tudo é algo mais.Tenho um amigo ateu e descrente de tudo mas que é exemplo para o mais temeroso e dedicado crente. Esses podem ser ainda mais especiais pois a sua atitude e caráter podem vir da compreensão interior sem que haja coações filosóficas ou religiosas para a conduta reta.
O segundo caminho se abre em milhares de perspectivas de acordo com o conhecimento e a crença com que cada um se alinhe.
Para os que abraçam os conhecimentos da maioria das tradições filosófico/religiosas do oriente e também no caso de algumas linhas cristãs como o espiritismo, não existe a morte como a vemos da perspectiva dos “vivos” do lado de cá.
Estes acreditam na eternidade da consciencia que estagia em várias existências e etapas alternando-se em experiências aqui no mundo dos vivos, ou lá, nos outros mundos dos vivos.
Na perspectiva da limitação no tempo e espaço, concordo com vc Kadu que em cem anos a maioria dos que estarão por aqui poderão até viver as suas vidas sem a consciência do tudo que fomos nós. Para mim entretanto faz mais sentido pensar que para você e todos nós que somos vivos, existe um caminho de encontrar o sentido da vida no eterno e verdadeiro tudo, no eterno Presente que é a vida.Sempre.
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