As mulheres de Sexy and the City
Ontem revi um dos primeiros episódios de Sexy and the City. Devo ser um dos poucos homens que gosta da série. Os diálogos são ágeis. As personagens, bem construídas. As cenas, engraçadas. O roteiro, muitíssimo bem escrito.
Toda vez que assisto um trecho do programa lembro de uma amiga ou conhecida. A série retrata com perfeição a vida e o cotidiano de um tipo de mulher muito comum nos grandes centros urbanos, a balzaquiana imatura e solteira. Tão carente. Tão confusa. Tão infeliz, tadinha!
Antes que me xinguem, uma ressalva. Há muitas mulheres solteiras com mais de 30 que são felizes, seguras e bem resolvidas. Oxalá, conheço várias! Mas conheço outras tantas que, como Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha, são completamente desprovidas de maturidade emocional. Posam de mulheres independentes e bem resolvidas, mas se comportam como adolescentes à espera do príncipe encantado. Criam fantasias e teorias mirabolantes para explicar o comportamento masculino, mas se negam a enxergar o óbvio. Cobrem-se de grifes, mas não conseguem esconder as tristezas e inseguranças.
Não estou dizendo que Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha têm personalidades iguais. Longe disso. Acima, citei apenas suas características comuns, aquelas que as fazem pertencer ao mesmo grupo social. Mas, como personagens muito bem construídas que são, todas as quatro possuem personalidade própria. Freud faria barba, cabelo e bigode com cada uma delas.
Miranda é a executiva complexada. Não se considera fisicamente atraente e direciona sua pulsão sexual para o trabalho (sublimação). Charlotte é a bonequinha romântica e ‘recatada’ – diga-se de passagem, a mais interessante das quatro. Tem vergonha de falar sobre sexo e fica encabulada só de ouvir as histórias picantes da amiga desinibida (formação reativa). Samantha, aparentemente é a mais bem resolvida de todas, mas evita relacionamentos afetivos. Só quer saber de sexo, sexo, sexo (fixação). É também a personagem mais estereotipada. Por isso mesmo, para infelicidade masculina, na vida real não é tão fácil encontrar Samanthas em festas e baladas. O DataDu, Instituto Kadu de Pesquisa e Estatística, estima que para cada vinte e duas Mirandas exista uma Samantha.
Já a Carrie dispensa analises psicanalíticas. Ela é chata mesmo. Insuportável! Tem lá seus traumas, mas seu maior problema é que homem algum agüenta conviver por muito tempo com uma pessoa tão quizilenta.
Sei que muitas mulheres se identificam com ela, mas isso não a faz menos maçante. Se você, cara leitora, também se acha parecida com Carrie Bradshaw, perdoe-me a franqueza, mas você deve ser uma mala sem alça. É possível que esteja aí a razão pela qual você até hoje não encontrou o homem da sua vida.
Como disse, tenho várias amigas que se parecem com a Carrie. São ótimas amigas, mulheres divertidas e inteligentes. Gosto muito de todas. Mas Deus que me livre de namorar com uma delas. Prefiro o monastério. Ninguém merece dividir o quarto com alguém tão cricri e nhenhnhem.
Tudo bem, reconheço, ser mulher não deve ser fácil. Mas as Carries conseguem complicar ainda mais as coisas. Por que inventar teorias mirabolantes sobre o comportamento masculino? Nós homens somos deveras óbvios. Simples e previsíveis. Não dizemos uma coisa querendo dizer outra. Não passamos mensagens cifradas que necessitam ser interpretadas e decodificadas. Somos diretos, cartesianos. Tal e qual Mr. Big. Aliás, ele é de longe meu personagem preferido da série.
Talvez o principal problemas das Bradshaws seja imaginar que nós homens pensamos e agimos como elas. Não agimos. Nossa cabeça funciona diferente. Nossos pensamentos fluem por caminhos menos tortuosos – e torturantes. Somos mais práticos e objetivos. Menos complexos.
Há alguns anos uma destas minhas amigas ‘Sex and the City’ me pediu conselhos sobre o comportamento masculino. Enviei-lhe por email uma lista com nove itens que, creio, a maioria dos homens assinaria embaixo. Procurei não ser indelicado, mas fui bastante franco. Ela me agradeceu. Sem a pretensão de servir de manual de conduta para ninguém, reproduzo a lista. Espero que seja útil.
1 – Não tente achar uma explicação subjacente para tudo. Às vezes um charuto é só um charuto.
2 – Em 90% dos casos a única coisa que um homem quer de um primeiro encontro é sexo. A possibilidade de iniciar um relacionamento nem sequer é cogitada. Não alimente expectativas. Se achar que vale a pena, curta a noite.
3 – Se ele não ligar no dia seguinte, é porque não está a fim de algo mais sério. Só isso. Não quer dizer que o sexo tenha sido ruim, tampouco que ele não gostou de você.
4 – No dia-a-dia de um relacionamento, diga claramente o que você quer. Não use indiretas. Elas dificultam a comunicação e demonstram imaturidade. Somos adultos. Ajamos como tal.
5 – Provavelmente seu namorado não acha divertido nem tem discernimento para ajudá-la a escolher uma roupa para sair. Salmão para nós homens é um peixe. Mostarda, um tempero de cachorro quente. Jamais serão cores.
6 – Não pergunte o que seu namorado está pensando. É desagradável.
7 – Quando seu namorado fica quieto por algum tempo não quer dizer que esteja acontecendo algo. É muitíssimo provável que o silêncio não tenha absolutamente nada a ver com relacionamento de vocês.
8 – Não faça bico. Se algo a incomodou, fale. Converse. Se ele perguntar “o que aconteceu?”, diga a verdade. Se em vez disso você responder “nada”, pelo menos não se irrite se ele reagir como se nada tivesse acontecido.
9 – Não pergunte “Você me ama?”. Tenha certeza de que, se ele não a amasse, não estaria ao seu lado.
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Hahahaha, excelente! Franco e hilário. Discordo apenas a respeito da dicotomia entre os comportamentos masculino e feminino. Penso que hoje vivemos uma androginia social (especialmente nos grandes centros urbanos) que deixa as atitudes cada vez menos presas ao gênero de quem as toma, independentemente da sexualidade. E penso também que o DataDu é de uma precisão invejável.
excelente!
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