Crianças, Papai Noel não existe!
Nunca acreditei em Papai Noel. Quando criança minha mãe acreditava. Aos sete anos descobriu que era seu pai quem colocava os presentes em sua janela. Foi uma decepção para a pequena Marli. Chorou, sofreu, cresceu, virou mãe e decidiu que seus filhos não precisariam passar pelo mesmo trauma. Eu e minhas irmãs sempre soubemos que o bom velhinho, a cuca e o saci-pererê existiam apenas no mundo do faz-de-conta.
Aos quatro anos todos os meus coleguinhas da escola acreditavam em Papai Noel. Eu fazia troça. Aos seis, alguns já tinham descoberto a verdade, mas a maioria ainda cria no conto do bom velhinho. Comecei a ter pena deles. Afinal, ninguém merece ser enganado pelos próprios pais. Aos oito, meu sentimento já beirava a indignação. Pensava: “Como eles ainda acreditam nessa ladainha? É impossível que não percebam que seus pais estão lhes fazendo de bobos. Pô, basta pensar. Um único velhinho jamais conseguiria visitar tantas casas numa só noite”. Foi então que me dei conta pela primeira vez que, a despeito de todas as evidências, algumas pessoas preferiam ser enganadas e cultivar ilusões a deparar com uma realidade que não lhes agrada.
Se eu tiver filhos, eles também saberão desde o primeiro natal de suas vidas que Papai Noel não existe. Não exatamente pelas mesmas razões de minha mãe, mas porque acho prejudicial para o amadurecimento de uma criança iludi-la com bobagens do gênero.
Sem dúvida que para os pais é mais divertido que os filhos acreditem em Papai Noel, Coelhinho do Pascoa e Fadinha do Dente. É gostoso ver os pequenos empolgados com o presente na janela ou procurando os ovos de páscoa deixados pelo coelhinho. Mas não é razão para mentir sobre a existência destas personagens. Seria o cúmulo do egoísmo que os pais enganassem os próprios filhos por diversão. Entretanto, não descarto a possibilidade de que muitos façam isso inconscientemente.
O argumento de que incentivar a crença em Papai Noel estimula a fantasia e a imaginação das crianças é primitivo. Surpreendo-me até que haja psicólogos que o defendam publicamente. Primeiro, há um erro de indução na argumentação. É óbvio que os pais devem estimular a criatividade dos filhos. Mas isso não quer dizer que a crença em Papai Noel deva ser incentivada. Há diversos jogos, brincadeiras, filmes, desenhos animados e outras atividades que estimulam a imaginação e a criatividade das crianças, sem iludi-las, sem induzi-las ao erro e à confusão entre o mundo real e o imaginário.
A infância é um período de descobrimento e aprendizagem. Nesta fase os pais são a principal referência e fonte de informação para os pequenos, que estão aprendendo a distinguir o certo do errado, a verdade da mentira, a realidade da fantasia. Ao enganarem deliberadamente os próprios filhos, os pais atrapalham o desenvolvimento cognitivo deles e correm o risco de perder a confiança dos garotos. “Afinal”, poderia pensar um rebento mais astuto, “se a mamãe mentiu pra mim a respeito do Papai Noel o que me garante que ela não esteja mentindo também com relação às drogas?”.
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Minha mãe sempre foi péssima em mentir, mas ela bem que tentou me fazer acreditar… Resultado? Inventei uma história de que o Papai Noel tinha morrido de dor nas costas. Criativamente racional! rsrsrs
Não tenho idéia do que vou fazer quando tiver filhos, mas seus argumentos ajudaram a colocar os dois lados na balança.
Bjos!
Inerte,
Nao vejo problemas em acreditar no velho Noel, desde que os coroas nao deixem seus filhos acreditarem ate certa idade, sob risco de serem ridicularizados pelos amigos… Fora isso e uma brincadeira saudavel, nao vejo grandes problemas.
Achei seu site hoje no Google, e gostei mto! J
Alou amigo! Fiz umas buscas no Google, e encontrei seu site! Gostei muito! J
Ol
Alou webmaster! Eu queria adicionar o seu RSS no meu navegador, mas n
Kadu,
Misturando um pouco as coisas, ou nem tanto, penso que este tipo de situação pode ser mais presente e durar mais do que imaginamos.
A grande maioria das pessoas acredita na existência de um “papai noel” onipresente e bondoso até hoje, e morrem acreditando no bom velhinho.
Meus filhos, do que depender de mim, terão a chance de decidir no acreditar sempre, sem serem influenciados desde a infância.
Desculpa desvirtuar um pouco o assunto do post, mas para mim estas coisas estão muito ligadas.
Abraço
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