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Rio e São Paulo – Parte 1

Postado por Kadu Palhano, domingo, 1 de fevereiro de 20093 Comentários
Apesar da proximidade geográfica, há muitas diferenças entre as duas principais capitais brasileiras. Neste e no próximo post vou escrever um pouco sobre essas diferenças. Fiquem à vontade para comentar e discordar. De antemão peço perdão aos puristas de nossa língua, mas, nestes textos, usarei o termo ‘paulista’ e não  paulistano’ para me referir ao morador da cidade de São Paulo.
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Sou carioca. Moro em São Paulo. Prefiro o Rio, mas tão cedo não sairei de São Paulo. Sou um exilado econômico. Neste exílio de quase sete anos passei a dar ainda mais valor ao Rio. Mas também descobri que Sampa tem lá seus pontos positivos. O principal deles é que, de todas as metrópoles do mundo, São Paulo é a única que está a uma hora do Rio. Bateu saudades da praia, da descontração e do descompromisso com a vida é só pegar a ponte aérea e aterrissar no Santos Dumont.

Mas há outros pontos positivos. São Paulo é extremamente acolhedora. Fui muito bem recebido quando cheguei na cidade. Muito melhor do que um paulista é recebido quando vai morar no Rio de Janeiro. Engana-se quem pensa que o Rio é uma cidade que recebe bem. Não é. Pelo contrário. Não é nada fácil fazer amigos no Rio. O carioca é boa-praça, brincalhão, gente boa, mas não dá abertura para que um forasteiro faça parte do seu grupo de amigos. Leva tempo para que alguém de fora se enturme no Rio.

Certa vez uma amiga de São Paulo questionou essa minha análise. Argumentou que sempre foi muito bem recebida no Rio. Ora, minha querida, mulher será sempre muito bem recebida no Rio. Sempre! Agora, jogue um homem paulista de 25, 30 anos, de mala e cuia em Ipanema. Garanto: ele vai se sentir completamente sozinho. Demorará até que seja convidado para festas, baladas e viagens. Os cariocas se fecham em panelinhas que são quase impenetráveis para quem vem de fora. Além disso, a entrada de mais um homem no grupo, em geral, não é vista com bons olhos pela ‘galera’ do Rio.

Profissionalmente os paulistas levam ampla vantagem. São mais sérios, profissionais, responsáveis e comprometidos do que os cariocas. É muito mais fácil fazer as coisas acontecerem em São Paulo. O trabalho flui melhor. Meus conterrâneos que me desculpem mas, em geral, os cariocas não se envolvem tanto com o trabalho. Tendem a empurrar as coisas com a barriga, fazer corpo mole e trabalhar pensando no fim do expediente. Além disso, se irritam com facilidade se tiverem que ficar até mais tarde ou trabalhar no sábado para concluir uma tarefa. Há incontáveis exceções, mas de modo geral o trabalho não é prioridade para o carioca.

O Rio não foi feito para a labuta. É a cidade que eu escolheria para morar se fosse muito rico. Se eu não precisasse trabalhar, não iria querer viver em Londres, Paris ou Nova Iorque. Moraria no Rio de frente para o mar. Não há cidade melhor para curtir a vida e aproveitar tudo o que ela tem de bom. Quanto mais eu viajo, mais certeza tenho de que nasci na cidade mais bonita e encantadora do mundo. O Rio é sinônimo de qualidade de vida. Não é mesmo fácil ficar enfurnado dentro de um escritório, de terno e gravata, enquanto a cidade pulsa, o sol ferve, o céu estala, a praia saliva e o chope transpira do lado de fora. O Rio suga seus habitantes para fora dos prédios. Não é uma cidade para ser vivida entre quatro paredes.

São Paulo é. Feia e sem encantos naturais, confina os seus habitantes em ambientes fechados. É uma cidade indoor, na qual o trabalho é a principal atividade. Tudo gira em torno dele. Em São Paulo, você é o que você faz. A empresa para a qual você trabalha é o seu sobrenome. Eu, por exemplo, sou  o Kadu da Abril – mesmo em encontros informais. Meu vizinho é o Paulo da Unilever. Jogo pôquer com o João da Mckinsey, o Rodrigo da Telefônica e o Pedro da Ambev.  “O que você faz?” é sempre uma das três primeiras perguntas que um paulista faz quando o conhece. Isso ainda me incomoda um pouco. Não gosto de ficar falando de trabalho nos momentos de lazer.

No Rio não é assim. Não se fala em trabalho nos encontros informais. É possível passar meses, às vezes anos, convivendo com uma pessoa sem que saibamos o que ela faz ou onde ela trabalha. O carioca não avalia o outro pelo emprego que ele tem, mas pelo que ele é de verdade. E isso é ótimo. Por outro lado, é inegável que, por não encarar o trabalho como uma de suas prioridades, o desempenho profissional do carioca é muito inferior ao do paulista. Ou, melhor dizendo, o desempenho profissional de quem vive no Rio é muito inferior ao de quem vive em São Paulo. O meio influencia o comportamento profissional das pessoas. Conheço muitos paulistas que foram trabalhar no Rio. Chegaram empedernidos, querendo fazer e acontecer. Seis meses depois já tinham sido corrompidos pelo sol, pela praia e pelo Jobi. Há também muitos cariocas que levam o trabalho a sério, que o encaram como prioridade. A maioria está em São Paulo, trabalhando mais do que qualquer paulista e sonhando com o dia do regresso.


…... Veja aqui a continuação deste post .…..

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3 Comentários »

  • Joana disse:

    Sou carioca e tenho que concordar que não é nada fácil ficar enfurnada dentro do escritório o dia todo. Olho pela janela vejo a vida passando e eu aqui…sem dúvida eu não sou o meu trabalho e não gostaria de ter o nome da minha empresa em eu “sobrenome”. Trabalho para viver, não vivo pro trabalho.

    Sobre paulistas não posso tecer comentários, mas se realmente for assim, lamento por eles.
    Abraços a todos

  • E-Book Gratuito disse:

    Ol

  • Lizia disse:

    Ola Kadu, tambem sou carioca e concordo em partes com o q vc falou. Hoje moro fora do pais e por isso fiz muitos amigos paulistas. Nunca estive em Sao Paulo, mas baseada nas informacoes que os proprios paulistas que conheci aki me deram, existem os lados positivos e negativos de morar em Sao Paulo. Concordo q paulista trabalha muito mais que carioca, mas pergunta pra galera se eles realmente gostam de fazer de suas vidas um trabalho ou se ‘e por falta de opcao? Como vc disse por Sao Paulo ser uma cidade “Indoor”, pra vc se divertir voce precisa de dinheiro. Por isso paulistas tem q trabalhar muito. O que ‘e bom pq tudo funciona bem, mas dai a seu sobre nome ser trabalho ‘e demais. Acho que no Rio as pessoas acabam enrolando ate demais, o q eu acho burrice, ja q se vc tem q estar no trabalho, pq nao produzir? Mas dai a perder seus fins de semana e viver estressado tambem ‘e demais.
    Quanto a hospitalidade, acho q existe um preconceito de ambas as partes, um sempre espera que o outro va ser amigavel e acaba ficando cada um em um canto. Por estar morando fora e a grande maioria aki ser paulista, por incrivel que pareca, sofri real preconceito pelo simples fato de ter nascido no Rio. Os paulistas ja partem do principio que vc ‘e escroto e cheio de marra, mesmo quando as unicas palavras que voce falou foram: Oi, tudo bem? Nao tem nem “s” nessa frase pro meu sotaque ser irritante.
    Quando voce sai de sua cidade ou do seu pais e vai morar onde vc nao conhece ninguem, ‘e dificil fazer amigos ou entrar numa roda de amizades, independente se vc esta mudando de Sao Paulo pro Rio, do Rio pra Sao Paulo, ou do Brasil pra qqr outro lugar. Parte da pessoa que esta mudando saber ser aberta e madura para filtrar as pessoas com quem valem a pena voce tentar fazer amizade.
    Apesar dos problemas q tive com certos mentecaptos, fiz otimos amigos paulistas e nao vejo a hora de ir visita-los quando for no Brasil e conhecer as noites, parques, teatros que Sao Paulo tem pra oferecer.
    Portanto acho q essa richa ‘e a maior bobeira, somos todos brasileiros, temos os mesmos conceitos e ambicoes. E que a diferenca cultural seja usada pra acrescentar, nao pra afastar pessoas de duas cidades tao proximas.

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