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Pai – Fabio Jr.

Postado por , terça-feira, 13 de outubro de 20092 Comentários

Gil72 Fernanda

 . 

Pai – Fábio Jr. ( Ciranda, Cirandinha 1978)

 .

Esta música emocionava muito meu pai. Ouvindo-a, ele se lembrava de meu avô. A maioria das vezes que o vi chorando, e não foram muitas, foi ao som desta canção. Hoje, quem se emociona sou eu. É difícil conter as lágrimas ao escutar:.

“Pai,
Pode crer eu vou bem eu vou indo
Tô tentando vivendo e seguindo
Com loucura pra você renascer…”

O velho faz muita falta em minha vida. Era minha referência, meu norte, meu porto seguro. Ele sempre tinha um conselho certo para todos os momentos errados da minha vida. Mais do que isso: ele sempre estava ao meu lado, mesmo quando reprovava minhas atitudes. Saber que eu podia contar com ele incondicionalmente me dava segurança e, em alguns momentos, até uma certa onipotência. Eu sabia que podia fazer o que fosse, mesmo as maiores cagadas, que o velho estaria lá para dar um jeito. Nunca tive receio de chegar para ele e dizer: “Pai, fiz merda”. Várias vezes eu o decepcionei. Mesmo assim, ele nunca me abandonou. Além de amigo, tinha um tremendo senso prático e sabia como ninguém resolver as coisas. Depois, sim, vinham as broncas, os conselhos, as palavras secas, duras, que machucavam mais do que qualquer porrada.

Hoje não tem mais segurança. Não tem mais GPS. A sensação é de que caminho com um precipício às costas. Qualquer passo em falso e a queda é iminente. É claro que tenho minha mãe, que é e sempre foi a pessoa que eu mais amo neste mundo, e minhas queridas irmãs. Formamos uma família da qual tenho muito orgulho. É uma relação de amor e companheirismo muito bacana. Mas o velho faz falta. Muita falta. Era o meu amigo, o meu conselheiro, o meu espelho.

Cada vez mais me pareço com ele – o mesmo senso de justiça, a mesma predisposição de não engolir sapos, de não levar desaforo para casa, a mesma personalidade forte, transgressora e idiossincrática.

Sua morte prematura, aos 62 anos, deixou um vazio em minha vida. Não é fácil conviver com a ideia de que nunca mais vou vê-lo. Dói. Dói mais, talvez, porque não creio em Deus. Meu pai cria. Tomara que mais uma vez ele tenha razão. É gostoso sonhar que um dia sentirei novamente os seus beijos, ouvirei seus conselhos, deitarei em seu peito para dizer “eu te amo”. Mas é um sonho. Nada me garante que seja verdadeiro. Pode ser que eu nunca mais volte a sentir o abraço caloroso do homem mais importante da minha vida. É triste, mas é real. A morte é um mistério. A despeito disso, não tem revolta, não. Há, sim, muitas saudades. E saudade até que é bom. ‘Melhor que caminhar vazio‘.

Sou um cara de sorte. Durante 35 anos tive o privilégio de ter um paizão, um amigo para todas as horas, alguém que faz muita falta, mas que deixou um legado de caráter, amor, força e generosidade que faz de mim o homem que sou hoje. As lembranças – são tantas! –  ainda me emocionam muito. E se tornam mais intensas quando escuto: “Pai, você foi meu herói, meu bandido. Hoje é mais, muito mais que um amigo. Você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz.”

 

 

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2 Comentários »

  • andres disse:

    Gostei do seu texto e gostei da música. Puta abraço,
    A

  • Gabriel Navarro disse:

    Complicado… Também penso muito no assunto; quase perdi meu pai em 1993, quando eu ainda tinha só 3 anos. Ele sobreviveu ao tiro sem grandes sequelas e hoje segue como um exemplo – praticamente da mesma maneira que você descreveu – de senso de justiça, de força, integridade. Um Norte, de facto. Tenho tentado aproveitar os momentos juntos, quando nossos gênios não guerreiam, e desfrutar dessa sabedoria hereditária. Difícil em tempos de tanto trabalho, eu com faculdade e estágio, e ele com dois netos para paparicar apaixonadamente.

    Anyway, é muito ler um texto como esse, que lembra a importância da figura paterna e o que ela representa para os filhos que, de alguma forma, levam essa relação a sério. É mais que um ensaio ou uma análise; é uma profecia certeira e inexorável. Infelizmente.

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