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Pai – Fabio Jr.

Postado por , terça-feira, 13 de outubro de 20092 Comentários
Gil72 FernandaEsta música emocionava muito meu pai. Fazia-o lembrar de meu avô. A maioria das vezes que o vi chorando, e não foram muitas, foi ao som desta canção. Hoje, quem se emociona sou eu. É difícil conter as lágrimas ao ouvir “Pai, pode crer eu tô bem, eu vou indo. Tô tentando, vivendo e seguindo, com loucura pra você renascer…”

O velho faz muita falta em minha vida. Era minha referência, meu norte, meu porto seguro. Ele sempre tinha um conselho certo para todos os momentos errados da minha vida. E mais do que isso: estava sempre ao meu lado, mesmo quando reprovava ou discordava das minhas atitudes. Saber que eu podia contar com ele incondicionalmente me dava segurança e em alguns momentos até uma certa onipotência. Eu sabia que podia fazer o que fosse, mesmo as maiores cagadas do mundo, que o velho estaria lá para me ajudar e resolver a parada. Eu nunca tive receio de chegar para ele e dizer: “Pai, fiz merda”. Várias vezes ele ficou decepcionado comigo, mas nunca me abandonou. Além de amigo, tinha um tremendo senso prático e sabia como ninguém resolver as coisas. Depois, sim, vinham as broncas, os conselhos, as palavras secas, duras, que machucavam e ensinavam.
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Hoje não tem mais segurança. Não tem mais GPS. A sensação é de que caminho com um precipício às costas. Qualquer passo em falso e a queda é iminente. É claro que tenho minha mãe, que é e sempre foi a pessoa que eu mais amo neste mundo, e minhas queridas irmãs. Formamos uma família da qual tenho muito orgulho. É uma relação de amor e companheirismo muito bacana. Mas o velho faz falta. Muita falta. Era meu conselheiro, meu amigo, meu espelho.
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Cada vez mais me pareço com ele. Vejo em mim o mesmo senso de justiça, a mesma objetividade, a mesma predisposição de não engolir sapos, de não levar desaforo para casa, a mesma personalidade forte, transgressora e idiossincrática.
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Sua morte prematura, aos 62 anos, deixou um vazio em minha vida. Não é fácil conviver com a ideia de que nunca mais vou vê-lo. Dói. Dói mais, talvez, porque eu não acredito em Deus. Meu pai cria. Como eu gostaria que mais uma vez ele tivesse razão! Reconheço: é gostoso sonhar que um dia novamente sentirei os seus beijos, ouvirei seus conselhos e deitarei em seu peito para dizer “eu te amo”. Mas é um sonho. Nada garante que um dia ele se tornará realidade. Pode ser, e essa é uma possibilidade bem factível, que eu nunca mais volte a sentir o abraço caloroso do homem mais importante da minha vida. É triste, mas não tem revolta, não. Há, sim, muitas saudades. E saudade até que é bom. ‘Melhor que caminhar vazio‘.
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Considero-me uma pessoa de muita sorte. Durante 35 anos tive o privilégio de ter um paizão, um amigo para todas as horas, alguém que faz muita falta, mas que deixou um legado de caráter, amor, generosidade, força e sabedoria que faz de mim o homem que sou hoje. As lembranças – são tantas! –  me emocionam muito e se tornam ainda mais intensas quando escuto: “Pai, você foi meu herói, meu bandido. Hoje mais, muito mais que um amigo. Você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz.”


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2 Comentários »

  • andres disse:

    Gostei do seu texto e gostei da música. Puta abraço,
    A

  • Gabriel Navarro disse:

    Complicado… Também penso muito no assunto; quase perdi meu pai em 1993, quando eu ainda tinha só 3 anos. Ele sobreviveu ao tiro sem grandes sequelas e hoje segue como um exemplo – praticamente da mesma maneira que você descreveu – de senso de justiça, de força, integridade. Um Norte, de facto. Tenho tentado aproveitar os momentos juntos, quando nossos gênios não guerreiam, e desfrutar dessa sabedoria hereditária. Difícil em tempos de tanto trabalho, eu com faculdade e estágio, e ele com dois netos para paparicar apaixonadamente.

    Anyway, é muito ler um texto como esse, que lembra a importância da figura paterna e o que ela representa para os filhos que, de alguma forma, levam essa relação a sério. É mais que um ensaio ou uma análise; é uma profecia certeira e inexorável. Infelizmente.

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