Uma música – Pai, Fabio Jr.
Postado por Kadu Palhano, terça-feira, 13 de outubro de 20092 Comentários
Hoje, 16 de outubro, faz dois anos que meu pai morreu. Essa música o emocionava bastante. Fazia-o lembrar de meu avô. Agora, quem se emociona sou eu. É difícil conter as lágrimas ao ouvir “Pai, pode crer eu tô bem, eu vou indo. Tô tentando, vivendo e seguindo, com loucura pra você renascer…”O velho faz muita falta em minha vida. Era a minha referência, o meu norte, o meu porto seguro. Ele sempre tinha um conselho certo para todos os momentos errados da minha vida. Estava sempre ao meu lado, mesmo quando reprovava ou discordava das minhas atitudes. Saber que eu podia contar com ele incondicionalmente me dava segurança. Hoje, não tem mais segurança. Não tem mais GPS. A sensação é de que caminho com um precipício às costas.
É claro que tenho minha mãe, que é e sempre foi a pessoa que eu mais amo nesse mundo, e minhas queridas irmãs. Formamos uma família da qual tenho muito orgulho. É uma relação de amor e companheirismo muito bacana. Mas o velho faz falta. Muita falta.
Cada vez mais me pareço com ele. O mesmo senso de justiça, a mesma objetividade, a mesma predisposição de não engolir sapos, de não levar desaforo para casa, a mesma personalidade forte, transgressora e idiossincrática.
Sua morte prematura, aos 62 anos, deixou um vazio em minha vida. Não é fácil conviver com a ideia de que nunca mais vou vê-lo. Dói. Dói mais, talvez, porque não acredito em Deus. Meu pai cria. Como eu gostaria que mais uma vez ele tivesse razão! Seria tão bom poder contar com ele de novo.
Independentemente disso, não tem revolta, não. A vida é assim. Durante 35 anos tive o privilégio de ter um paizão, um amigo para todas as horas. Só isso já faz de mim uma pessoa de muita sorte. Agora, confortam-me as lembranças – são tantas! - que se tornam ainda mais intensas toda vez que eu escuto: “Pai, você foi meu herói, meu bandido. Hoje mais, muito mais que um amigo. Você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz.”
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Gostei do seu texto e gostei da música. Puta abraço,
A
Complicado… Também penso muito no assunto; quase perdi meu pai em 1993, quando eu ainda tinha só 3 anos. Ele sobreviveu ao tiro sem grandes sequelas e hoje segue como um exemplo – praticamente da mesma maneira que você descreveu – de senso de justiça, de força, integridade. Um Norte, de facto. Tenho tentado aproveitar os momentos juntos, quando nossos gênios não guerreiam, e desfrutar dessa sabedoria hereditária. Difícil em tempos de tanto trabalho, eu com faculdade e estágio, e ele com dois netos para paparicar apaixonadamente.
Anyway, é muito ler um texto como esse, que lembra a importância da figura paterna e o que ela representa para os filhos que, de alguma forma, levam essa relação a sério. É mais que um ensaio ou uma análise; é uma profecia certeira e inexorável. Infelizmente.
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