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Blasfêmia?

Postado por , domingo, 14 de dezembro de 2008Sem Comentários

Vamos pecar agora, meu amor!
Amar e deitar sobre a pia batismal.
Comer a maça do pecado original.

Saia do escritório e me encontre.
Onde? Ora, na igreja da esquina,
Ao lado da santa, atrás da cortina.

Nossa, como você está linda!
Maravilhosa, gostosa, divina.
Safada, tarada e assanhada.

Adoro vê-la vestida de advogada,
De blazer, escarpin e cinto da Prada.
Mas, data venia, minha doutora amada,
Ainda prefiro vê-la nua, em pêlo, pelada.

Olhe: não há ninguém ao nosso redor.
Vamos para o centro, o centro do altar.
Ora, pra que? Vamos orar, vamos pecar.

Não tenha medo, a capela está vazia, querida.
Estamos sozinhos – nós e o espírito santo.
Em nome do pai, do filho e do desejo divino.
Do sexo sagrado, benzido e santificado.

Veja: estamos em cima da cripta.
Seja sincera, isso não lhe excita?
Sobre o mármore, em cima da cripta?

Não é errado pecar.
Não é errado se amar.
Nossa união não tem hora.
Nosso amor não tem lugar.
Seja sob ou sobre o altar.
O que importa é se amar.

Deixe-me ajudá-la a tirar essa roupa e sapatos.
Não se mexa que eu quero despi-la inteiramente.
De panos, seu corpo; de preconceitos, sua mente.
Eu adoro essa coisa divina, profana e selvagem.
Uma amalgama de sexo, sensatez e libidinagem.

O Olfato.
Oração e olfato.
De fato, oração e olfato.
De fato, é fato: oração e olfato.

Como você está cheirosa, meu bem!
Vou rezar. Abrace-me e reze também.
Perfume de mulher. Bálsamo sexual.
Fragrância profana. Aroma angelical.

O Tato.
O contato do tato.
O aroma do olfato. O toque do tato.
O frio na espinha. Na sua na minha.
É mais do que o tato. É contato. É contrato carnal.

Deitemos no mármore, no tampo da cripta.
Calma. Se solte. Deixe que eu a conduza.
Está gelado? Relaxe. Sinta o frio, o arrepio…
O frio é afrodisíaco. Eu sou ninfomaníaco.

A Visão.
Eu vejo,
Tu vês,
Você vê,
Nós vemos,
Ninguém mais nos vê.

Olhe pro lado. Admire os portais, os vitrais laterais.
Olhe pra mim. Veja o prazer nos olhos de um querubim.
Olhe pro forro. Veja o desenho das virgens no morro.
É arte sacra, sagrada, safada, sacana e sacramentada.

Olhe ao redor, para os olhos das santas.
Como elas a vêem? O que você sente?
Seu coração bate forte, seu corpo está quente.
Sinta o pecado, o tesão, a paixão, fruição
Subir da planta do pé à palma da mão.

O que eu vejo, querida?
Ora, o que eu vejo, querida:
Eu vejo uma mulher maravilhosa.
Livre, leve, linda, lasciva e gostosa.
Sob mim estendia, deitada e excitada.
Neste momento, minha doce advogada,
Eu garanto que não há mulher mais amada.
Hoje, sempre, amanhã, aqui e agora.
Você é a minha nobre Nossa Senhora.

A Audição.
Um grito.
Um gemido.
Um tom sustenido.
Um prazer pelo ouvido,
Um palavrão sem sentido.

Ouça o silencio das palavras de Deus
(Quem cala consente.
Jesus Cristo não mente)
Ouça as batidas do seu coração.
Escute o rufar da nossa respiração.
Ouça a acústica de nossos corpos.
O som de uma pele roçando na outra
É mais do que mágico. É música.
Embalo sexual, oral, anal, carnal…
Não faz mal!

O paladar.
O gosto salgado da pele.
O doce veneno do fruto proibido.
O sabor de viver, de ser e de estar.
O gosto, o veneno, o sabor, paladar.

Derrame este vinho no peito.
Você molha, lambuza; eu deleito.
Vou lhe dar um banho de gato.
Lambê-la de frente, de lado, de quatro.

Feche os olhos e abra a boca.
Prove o sabor de uma hóstia.
Sinta na língua o meu corpo,
O salgado corpo de Cristo.
Sim, eu me chamo Jesus.
Não me chamo Mefisto.

O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
O aroma, o toque, os vitrais, o gemido e o sal.

O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
O Olfato, o tato, a visão, audição, paladar
Os cinco sentidos completos no ato de amar.

Epa! Silêncio. Ouço passos.
Calma, controle a respiração.
Sim, pode morder, pode apertar.
Só não mexa demais os quadris
Ou, então, eu não vou agüentar.

Não provoca. Eu não vou segurar.
Pára. Sossega. Eu não posso gozar.
Não é brincadeira. Eu não vou segurar.
Não me incita. O perigo me excita.
Eu não vou segurar.

Olha a beata, ela está vindo pra cá.
Cuidado que ela está vindo para cá.
Cuidado, doutora, ela vai nos achar.
Ai, meu Deus, ela pode enfartar.
Ai, meu Deus, eu não vou segurar.
Ai, meu Deus, se ela vir, ela vai enfartar.
Ai, meu Deus, ela vem com o padre.
Sua santidade vai nos excomungar.

Pare. Não se mexa, que nós vamos ficar invisíveis.
Tenha fé. É possível. Nós vamos ficar invisíveis.
Paulo Coelho já conseguiu. E nós vamos ficar invisíveis.
Respire. Concentre-se. Nós vamos ficar invisíveis.
Segure. Não goze. Nós vamos ficar invisíveis.
Reze. Inspire. Nós vamos ficar invisíveis.
Medite. Controle a libido. Nós vamos ficar invisíveis.

Pronto. Passou. A beata se foi. O padre partiu. Partiu sem nos ver.
Eu lhe disse. Eu falei. Eu falei que era fácil. Era fácil ficar invisível.
É só acreditar e ter fé. Ter fé no desejo divino e santidade do amor.

Agora, agüenta! Estamos sozinhos de novo. É só entre mim e você.
E isso me deu mais tesão. Deixou-me com mais fogo, calor e paixão.
Vamos em frente. Vamos amar. É isso que eu chamo de ressurreição.

Vamos rezar, vamos gozar.
Vamos gozar, vamos rezar.
O gozo e a reza.
A reza e o gozo.
Oração, fruição.
Fruição, oração.

Santificado seja o nosso sexo.
Venha a nós o nosso gozo.
Seja feito o nosso desejo.
Agora e na hora do nosso beijo,
Também.

Hábito profano, mundano, tutano, insano,
Eu te amo, seja sob ou sobre esse pano.

Cuidado com a santa ao lado.
Não segure nos castiçais.
Nosso amor é tempestade.
É alta tensão, é tesão e algo mais.

Enquanto os nossos corpos se movimentam
De um lado pro outro, pra cima e para baixo,
Transbordando luxúria e prazer,
Os lustres tremem.
As santas se arrepiam.
Os santos se excitam.
O ostensório reluz.
Jesus sai da cruz.
Para nos abençoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar…

!!!
!!!

Ouça o silêncio do gozo celestial.
Foi tudo. Foi tanto. Foi tântrico!

Você foi divina, exímia, magistral.
Nosso amor foi mais do que comunhão.
Foi um ménage.
Entre Deus, mim e você.

Dê-me um beijo, querida.
Se arrume, com calma,
Sem medo, sem pressa,
Que o melhor já passou.
Vá à frente, imponente,
Respire, inspire, caminhe
E ajeite o cabelo e o sutiã.
Ver-nos-emos de novo amanhã.
Você está leve, louca, safada.
O pecado lhe dá mais beleza.
O pecado lhe faz mais amada.
O pecado lhe faz mais mulher.
Que Deus a mantenha assim,
Que Ele não a afaste de mim.
Linda, louca, lasciva, neném,
O pecado só lhe faz bem.
Amém.

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